segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Abri meus olhos... estava em um local bastante escuro,
poucos focos de luz entravam no ambiente, não tão fortes, mas deram-me a impressão de que era de manhã. Sentia em algumas partes de meu corpo uma dormência, que era semelhante a dor de agulhas penetrando minha pele. Levantei-me com movimentos fadigosos, senti que alguma coisa havia acontecido na noite passada. Ao meu lado haviam garrafas de whisky vazias, pontas de cigarros, animais mortos. Procurei ao meu redor uma saída, mas não era possivel sair dali se não usasse a força bruta. Eu não tinha força suficiente para romper a madeira que fechava a única saída. Havia um pequeno espaço que dava para o lado de fora. Aproximei-me e avistei um local muito belo, cheio de vida.
Até hoje, não consegui sair desse ambiente desagradável, o qual é o meu consciente. Estou preso a esse meu pensamento, junto com os sentimentos, com os meus atos, com a minha liberdade, com a minha vida. Isso é minha mente, que está amarrada, presa. Minha liberdade de expressão está naquele ambiente morto. Minha ressaca é o meu pensamento, sempre não vale nada; as drogas são meus sentimentos, sempre utilizados mas nunca servem para nada; os animais são meus atos, que sempre são entendidos como atos errados, que também não valem nada! Vivo num mundo de sacrificios, e viver é o maior deles, pois sempre sou oprimido pelos mais fortes.


Ramón Fernandes.

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